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Cyberbullying.
Agência Estado
Usar
mão da internet para agredir é a nova arma da garotada
- ato que até ganhou o nome de cyberbullying. O assédio
moral por meio da tecnologia é tão ou mais perverso
do que o método "corpo-a-corpo". O abuso adquire
projeção ainda maior e se transforma num tormento
público. O advogado Caio Eduardo de Aguirre, da Fialdini
Advogados, foi consultado recentemente por um pai que, desesperado,
tentava ajudar a filha de 12 anos, vítima da "gozação"
via Orkut, em uma página criada por suas coleguinhas de escola.
"Ele queria tomar medidas judiciais
contra as autoras das ofensas feitas à filha, como, por exemplo,
comentários maldosos a respeito das características
físicas da pré-adolescente", conta Aguirre. "Expliquei
que, por serem menores, não seria viável entrar com
ação criminal. Ele também pensou em um eventual
pedido de indenização aos pais das garotas, a fim
de ressarcir os danos morais causados à filha. Mas o juiz
provavelmente veria o problema como dissabores corriqueiros, aos
quais todos estão submetidos, principalmente na infância.
A única maneira que vi foi orientá-lo a entrar no
próprio Orkut, que disponibiliza uma sessão de denúncia
desse tipo de abuso, para tirar a página do ar.
No trabalho
Assédio moral nas empresas
também é conhecido por bullying, termo que não
se restringe a ambientes escolares. Roberto Heloani está
envolvido até o pescoço com esse tema, não
como vítima, muito menos como algoz. Ele é um dos
criadores de uma organização, cujo site é www.assédio
moral.org, que divulga o problema e orienta a população,
que anda cada vez mais vulnerável a esse tipo de agressão.
Desde que entrou no ar, em 2001, mais de 600 mil emails foram enviados.
Neste mês, chega às
livrarias o novo título de Heloani, também professor
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Fundação
Getúlio Vargas, e especialista em psicologia do trabalho.
"Esse problema (bullying) infelizmente não poupa ninguém
e está disseminado tanto entre as crianças nas escolas,
como nas empresas, entre os adultos", avalia o pesquisador.
"Na vida profissional, ocorre mais freqüentemente com
mulheres. Calcula-se que 63% das trabalhadoras sejam vítimas
de bullying ou assédio moral no trabalho. Dessas, as negras
são as que mais sofrem com abusos."
Existem vários motivos para
explicar as agressões contra mulheres, que ocorrem, principalmente,
com as que têm mais de 35 anos e são mães. De
acordo com Heloani, nessa fase da vida as mulheres estão
em plena ascensão profissional e quem está num posto
de chefia sente-se ameaçado. Com a competição
acirrada de hoje em dia, humilhar, entre outras atitudes típicas
de bullying, é uma maneira de enfraquecer a suposta concorrente
e, como costuma-se dizer, "colocá-la em seu lugar",
tornando-a cada vez mais passiva e submissa. Por ser mãe
e depender do trabalho para sustentar o filho, a mulher fica mais
presa ao emprego e acaba se submetendo ao assédio moral.
"O bullying é devastador
para o rendimento do funcionário e para o bolso da empresa",
afirma o professor. "E não é só isso.
O assédio moral atinge a família também, pois
o assediado vive oscilações de humor, com tendência
a depressão, irritação, entre outras doenças.
E os filhos encontram o pai ou a mãe num estado emocional
lamentável."
É
comum notar, por exemplo, doenças em homens e mulheres que
sofrem bullying, tais como: cefaléias constantes, alterações
hormonais sérias, taquicardia, síndrome do pânico,
alteração do sono e depressão. "O assédio
moral gera prejuízos às organizações
e à sociedade, já que surgem mais afastamentos e,
conseqüentemente, há necessidade de auxílio saúde,
aumentam os pedidos de aposentadoria precoce, e por aí vai.
Todo mundo paga essa conta alta: a família, a empresa e a
sociedade."
Fonte:
Agência Estado
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