Estupros
na Africa do Sul: "Parece que a escola é mais perigosa
para as crianças do que qualquer outro lugar"
Denúncia foi feita em relatório da Comissão
de Direitos Humanos.
Na África do Sul, chegam anualmente à polícia
cerca de 54 mil queixas de estupro.
Após apresentar ao longo dos últimos anos um dos maiores
índices de estupros do mundo, a África do Sul vê
agora o crime se transformar em tema de um jogo infantil em suas
escolas. A denúncia foi feita em um relatório divulgado
nesta quarta-feira (12) pela Comissão de Direitos Humanos.
"Viole-me,
Viole-me" e "Espanque-me, Espanque-me" são
dois jogos infantis, nos quais as crianças perseguem umas
as outras e fingem que estão agredindo ou estuprando seus
companheiros.
"Isto demonstra a extensão e o nível que alcançou
a brutalidade da juventude, e no que se transformou a violência
sexual na África do Sul", afirmou a Comissão
de Direitos Humanos em um relatório divulgado nesta quarta-feira
(12).
Dado alarmante
Na África do Sul, chegam anualmente à polícia
cerca de 54 mil queixas de estupro, mas organizações
que lutam contra a violência sexual calculam que o número
de abusos reais pode ser nove vezes maior do que o de casos denunciados.
Caso seja levada em conta esta última projeção,
a cada minuto uma pessoa é estuprada na África do
Sul, país de 48 milhões de habitantes.
O relatório da Comissão de Direitos
Humanos divulgado hoje analisa os sinais de violência nas
escolas sul-africanas e propõe uma série de medidas
às autoridades para evitar que sejam um dos principais locais
de crimes contra as crianças.
Segundo a comissão, um quinto dos ataques
sexuais sofridos por crianças sul-africanas ocorre quando
estão nos centros educativos, sendo que uma grande parte
é de responsabilidade dos próprios professores.
"De acordo com um estudo realizado entre 1.227
estudantes do sexo feminino que foram vítimas de ataques
sexuais, 8,6% foram atacadas pelos professores", diz o relatório.
O documento inclui comentários de uma organização
que apóia as vítimas, e que mostra que 26% dos estudantes
consultados acreditam que uma relação sexual forçada
não constitui necessariamente um estupro.
O relatório fala também da tendência
crescente dos "estupros corretivos" cometidos contra alunas
supostamente homossexuais, com a crença de que a partir desses
ataques "as estudantes deixarão de ser lésbicas".
Ao analisar os índices de violência
nas escolas sul-africanas, a Comissão de Direitos Humanos
estabelece que os centros educativos da África do Sul são
um dos principais lugares para cometer crimes, sejam ataques sexuais
ou roubos.
"Dois de cada cinco menores consultados disseram
ter sido vítimas de algum tipo de ato criminoso", diz
o documento, que acrescenta que o cenário mais freqüente
são os banheiros das escolas.
Segundo a Comissão de Direitos Humanos, as
mortes entre os jovens da África do Sul devido a atos violentos
são 60% maiores do que a média mundial, e 10% das
crianças que chegam aos hospitais foram atacadas em seus
respectivos colégios.
"Parece
que a escola é mais perigosa para as crianças do que
qualquer outro lugar", acrescenta o documento.
Fonte: site
G1
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