Atrocidades
sem Classe Social
Mário Felizardo*
Um
apartamento de classe média-alta foi palco das maiores atrocidades
contra a adolescência que se teve notícia nos últimos
tempos. Silvia Lambrese mantinha uma menina de 12 anos sob tortura
há, pelo menos, 6 meses.
Quando
encontrada pela polícia, a jovem tinha os braços em
processo inicial de necrose, pois, diariamente, era acorrentada
de pé, com os braços para cima. Assim ficava durante
horas, sob o sol forte da cobertura. Em determinado dia, por ter
dito que sentira cheiro de bolo, foi obrigada a comer ração
de cachorro e ficar o dobro do tempo acorrentada. Era obrigada,
também, a ingerir fezes e urina do animal. Pimenta era pingada
em seus olhos. Sua boca era queimada com colher quente e sua língua
cortada com alicate.
A
vinda à tona do caso só comprova que a infância
e a juventude não são vitimadas somente em casebres
da periferia. Ao contrário, as paredes duplas de apartamentos
"um por andar" e a discrição do modo de
viver dos mais abastados podem ser grandes aliados de monstros como
a empresária de Goiânia.
Contra
esses a sociedade tem a sua disposição o número
para denúncias da Secretaria Especial de Direitos Humanos
da Presidência da República, o DISQUE 100, podendo
(e devendo), de forma anônima, denunciar e auxiliar no combate
à violência e ao abuso sexual contra crianças
e adolescentes.
* Oficial de Proteção da Infância
e da Juventude, Coordenador do Projeto Diga Não ao Bullying. |